O que acontece nesse momento da vida da mulher? Como nos sentimos? Não são apenas os hormônios atuando. O que acontece com a mente da mulher? Quantas sensações desconhecidas!? Novas alegrias, novos medos, novas inseguranças, disposições, dúvidas, mudanças rápidas de humor, mudanças no corpo, na alimentação, no comportamento diário, no relacionamento íntimo, familiar e por aí vai….

Recentemente assisti à um TED Talk com Alexandra Sacks, psiquiatra americana que trabalha há mais de dez anos com grávidas e mulheres no pós-parto. Ao longo de sua vida clínica ela vem estudando o que acontece psicologicamente na transição para a maternidade, fase que ela chama de Matrescencia, e encontrou um padrão único de comportamento nas mulheres.

Ela menciona que principalmente no pós-parto, há grande expectativa da mulher em achar que tem que se sentir completa, totalmente realizada e sempre feliz. Mas a realidade é que, junto com a felicidade, chegam também sentimentos de não saber o que fazer em algumas situações, não ser boa bastante, não ser preparada o suficiente, estar exausta, talvez deprimida, angustiada, sensível e ainda deixar de lado o resto de sua vida. Todo esse turbilhão de sentimentos pode ser confundido com depressão pós-parto mas, segundo a médica não é, é apenas a Matrescencia.

Os bebês humanos são totalmente dependentes da mãe, então o hormônio ocitocina é liberado no parto e no contato de peles, onde ele vira o centro do mundo da mãe. Ao mesmo tempo que se sente um amor intenso e senso de proteção ao filhote, a mulher vivencia um sentimento de distanciamento para conseguir realizar suas próprias necessidades. Isso é normal? Sim! É normal ter sentimentos dúbios para conseguir vivenciar outras coisas como o casamento, o trabalho, um hobby, a vida social e suas necessidades físicas básicas? Sim!

A história nos diz que quando a mulher tem seu filho é acolhida por toda comunidade feminina: a mãe, a sogra, as irmãs e mulheres da comunidade cuidam em conjunto da dela e do bebê nesse momento tão delicado. Na China antiga as sogras eram responsáveis pela alimentação saudável das noras por meses após o parto. Eram feitos caldos e sopas para nutrir a mãe.

Hoje somos entendidas e acolhidas nesse momento? Quais nossas expectativas versus a realidade? Hoje estamos mais sozinhas? Não temos tanto apoio do parceiro? Temos que dar conta de tudo? É normal estar perdida, angustiada e talvez deprimida?  

Toda mulher precisa ser cuidada, então não seria na Matrescencia a fase ideal para que se tenha mais apoio e compreensão?

A sugestão da Alexandra é que este tema deve ser levado mais a sério nos dias de hoje. Vamos refletir?

 

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