Você leitor ou leitora que esta olhando para  esse artigo, na dúvida se deve lê-lo ou não, vou te fazer uma pergunta: “ Você já se sentiu desalinhada com seu RG?. Em qualquer idade?”

Pois é, hoje em dia isso tem sido cada vez mais frequente para mim.

Para ficar mais fácil, vou contextualizar.

Lá no meu RG, meu nome é Ana Maria de Morais, mas quem habita em mim , a maioria das vezes é a Aninha. Lá está escrito que sou nascida em 1953, portanto que tenho 65 anos. Mas isso não é verdade. Quer dizer, a maioria das vezes não é verdade, porque a Aninha, não me permite sentir assim.

Se vocês me perguntarem: “Com quantos anos você se sente?” Minha resposta será : “Não sei. Depende”.

Vou explicar….. Percebi que em cada momento eu me sinto com uma suposta idade. Aprendi que ter uma visão linear, já não cabe mais em nossas vidas. Tudo é relacional e vai depender de onde estamos e com que estamos.

Por exemplo: Se estou brincando com meus netos, me sinto com a mesma idade deles. A Aninha aparece com tudo. Entro no mundo da fantasia e    posso ter 1, 5 ou 10 anos. Posso ser fada ou pirata, posso deslizar no tapete mágico, posso colocar bandana na cabeça e tocar guitarra com cabos de vassoura e fazer show para uma plateia de bichinhos. Posso brincar de circo, de palhaço  equilibrista……e por aí vai. É um mundo de infinitas opções. Só a noite, ao deitar lembro-me que talvez tenha exagerado um pouquinho para minha idade ( a que está no RG), principalmente quando fiquei embaixo da mesa muito tempo, como se estivéssemos na caverna mágica.

Se estou na Academia de Pilates ou na Academia de dança, ( atividade que Aninha sempre adorou) , também transito entre a juventude, a maturidade e a idade que o RG denuncia. Me vejo dando muita risada com as amigas durante a aula. Ir na contramão durante a coreografia não é mais tão grave hoje em dia. Mantendo o bom humor, já não fica tão pesado também o fato de ter trocado a Aeróbica por Pilates, que apesar de ser um pouco mais parada também exige força, concentração, controle de respiração e equilíbrio. O mais importante é que faço tudo com o mesmo empenho e determinação. E aí, durante a aula, em determinadas posturas, eu mesma me pergunto: 65, eu???

Ah, e os Jogos de tênis??? Essa foi uma outra fonte de adaptação. Esse sempre foi o esporte que pratiquei junto com meu marido. Dançar nas festas e jogar tênis era uma das maiores fontes do nosso lazer. Só viajávamos para onde tivesse quadras de tênis. Jogávamos 5 partidas em média por dia. E hoje? Bom, vamos combinar que estamos bem longe dessa realidade, mas continuamos a jogar e no início do jogo nos sentimos com bem menos idade do que quando terminamos a partida. Mas durante o jogo, o desafio, a garra, o desejo de fazer uma boa jogada, a diversão continua lá, intensa, deliciosa. O prazer da cerveja gelada, o brinde depois do jogo faz com que a idade seja outra. Enfim, as atividades de lazer são as mesmas, ainda mantemos a jovialidade de 25 anos atrás. Apenas com “algumas limitações” rsrsrs. Descobri, que nossa idade cronológica é flutuante. O lazer também. Hoje nos divertimos juntos, de outras formas;  tomando um bom vinho, assistindo filmes, séries, palestras, cursos e viagens onde as quadras de tênis já não são tão necessárias. O eterno prazer da companhia faz parecer que o tempo não passou.

E profissionalmente, se vocês me perguntarem?

Bom, para mim é fundamental se reinventar sempre. Principalmente ir atrás dos sonhos. Para aprender, estudar e trabalhar, não há prazo de validade especifico. É você que estabelece.

Aos 54 anos resolvi ir atrás de um dos meus maiores sonhos. Estudar Psicologia. Aninha adoraria isso e senti que deveria proporcionar isso a ela. Na época percebi que existia algumas limitações para coordenar trabalho em tempo integral, casa, marido, filhos e etc. Como sou super adaptável, uma amiga sugeriu  que eu fizesse uma Pós em Terapia Familiar. Foi o melhor e mais feliz tempo de estudante da minha vida. Consegui unir o encanto de realizar um sonho, com a época de juventude quando é mais natural estudar com o desejo intenso de sorver todas as informações que me eram apresentadas. Estudei com fanatismo, devorei livros e mais livros. Estava totalmente apaixonada pelo curso. Vocês se lembram como é estar apaixonada? Pois é, dispensa comentários, é aquela coisa intensa,  e foi exatamente assim que me senti por 4 anos. Uma jovem estudante, porém com maturidade para levar muito a sério o que estava estudando.

Depois de alguns anos trabalhando nessa área, apesar de muito entusiasmada e muito feliz, a vida me colocou diante de uma nova e grandiosa paixão. Nasceu meu primeiro neto. Essa experiência sim, fez as idades, sensações, prazeres e emoções se fundirem e ficarem indivisíveis. Como meu trabalho na época me fazia viajar muito, novamente decidi me reinventar, pesquisei por algum tempo, fiz os cursos cabíveis e me tornei Coach e Mentora. Profissão que hoje tenho o maior orgulho em exercer, que faço com muita segurança e amor pois ela faz a trajetória da minha vida ter muito sentido e com isso posso ajudar e aprender bastante com meus clientes.

Hoje consigo olhar para trás e ver como fui construindo uma vida baseada em desejos, sonhos, determinação, entusiasmo, amor, ética, reflexões e muita disposição para mudanças. Os sofrimentos existiram também, mas prefiro pensar em todos eles como desafios, como uma forma de crescimento, pois como costumo brincar, ninguém sai mais amadurecido e com muitos aprendizados depois das festas.

Hoje olho para meus filhos, cada um com seus filhos, sendo protagonistas de suas vidas e cai a ficha de quanto vivi em termos cronológicos, são 65 anos, mas o que mais me importa foi como vivi todos esses anos e como ainda pretendo continuar vivendo. Ainda tenho muito a aprender, a sonhar e a realizar. Jamais deixarei que a Aninha, aquela que habita em mim, desanime, fraqueje ou fique velha. Ela é minha eterna companheira e jamais vou decepcioná-la.

Nós duas, vamos abraçar o envelhecimento, olhar para ele de frente, ver nossas possibilidades, vamos descobrir novas habilidades e vamos transformá-las em competências, para que possamos ter autonomia em nossas vidas. Vamos continuar curtindo nossa família,  ter muitos amigos, antigos e novos, e assim vamos nos dar a chance de envelhecermos joviais e felizes independentemente do numeral que está escrito lá

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